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17/05/2017 | 18h39

Tecnologia

IBM é parceira da indústria para carro conectado e inteligente

Ao lado das montadoras, empresa estuda como usar plataforma Watson


GIOVANNA RIATO, AB

Rodrigo Stanger projeta salto importante nos próximos três anos para o setor automotivo
O Brasil também começa a dar passos consistentes para oferecer carros mais conectados e inteligentes aos consumidores. Ao menos segundo a IBM, gigante de tecnologia que oferece serviços focados em cloud, IoT e inteligência cognitiva, justamente aquele recurso futurista que torna um computador capaz de aprender e interagir. “O Brasil está dois anos atrasado em relação ao resto do mundo nessa jornada digital do veículo, mas desde o ano passado começou a acelerar nesse sentido. Estamos em contato com uma série de montadoras instaladas localmente”, conta Rodrigo Stanger, líder da empresa para o setor automotivo na América Latina.

O executivo diz que a discussão está na mesa, ainda que nem sempre as empresas saibam qual caminho seguir para inovar. “Antes o consumidor avaliava a robustez do automóvel, a tecnologia mecânica e a durabilidade. Hoje o que importa é a conexão da marca e do produto com o cliente. São exigidos modelos e competências que não eram relevantes até então”, diz. Para ele, iniciativas mais consistentes dessa evolução digital no Brasil devem acontecer no próximo ano. O executivo cita as tendências que guiam estes avanços.

A primeira delas, aponta, é a transformação do varejo, o esforço para “entregar o produto certo na hora certa e aproveitar as oportunidades em novos canais, como as redes sociais.” Para ele, é clara a necessidade de aprimorar a levar a experiência de compra do carro para fora da concessionária, com ações em shoppings, eventos e, claro, no meio digital. “Muitos setores do varejo já passaram por essa digitalização, como vemos na Amazon e no Submarino. O interessante de fazer mais tarde é que a indústria automotiva tem a chance de ver o que deu certo e o que deu errado nestes casos.”

A segunda tendência que vai guiar a transformação do setor, aponta, é a conectividade. “O fato de você fazer do carro, que era isolado do mundo, um dispositivo conectado terá alto impacto”, avalia. Ele observa que o potencial de agregar serviços é enorme, com a incorporação e recursos como concierge, segurança e entretenimento. “Dá para medir todo o comportamento ao volante, impactando na área de seguros, por exemplo. Há indícios claros de que, no futuro, estes dados e os serviços relacionados serão fonte importante de receita para a indústria.”

Stanger lembra que o modelo de posse do carro é outro que está em cheque, com a oferta de serviços multimodais, que integrem o transporte no automóvel, com o compartilhamento de bicicletas e o sistema público, por exemplo. “Globalmente este movimento está se acelerando e ainda não chegou a uma acomodação. Precisamos ver como será no Brasil”, diz. Está claro, diz, que a chegada dos veículos autônomos vai intensificar este processo principalmente por ser uma mudança que naturalmente já exige integração maior para acontecer, com o envolvimento de montadoras, governo, seguradoras e empresas de infraestrutura.

MONTADORAS ESTICAM O BRAÇO PARA A INOVAÇÃO

O executivo percebe que, ao se dar conta do cenário à frente, as montadoras “esticam o braço para a inovação” ao buscar trabalhar com mais velocidade, com profissionais e tecnologias diferentes. “Vejo as companhias começando a separar times para inovar, fazendo um esforço para pensar de forma diferente."

É neste contexto que a IBM se insere para vender as suas soluções. Uma das mais promissoras é o Watson, plataforma inteligente capaz de fazer de qualquer pessoa um Sherlock Holmes, chegando a grandes conclusões. Na prática, a tecnologia tem potencial para aprender constantemente e usar este conhecimento para melhorar a interação do condutor com o carro, por exemplo. A gama de aplicações na indústria automotiva é enorme. Vai desde um chatbot para interagir com clientes nas redes sociais até o sistema de multimídia do carro, que pode contar com o Watson como assistente pessoal digital. Tudo personalizado.

“São muitas possibilidades e a verdade é que vamos aprender ao lado da indústria, já que o Watson é uma solução nova, criada há cinco anos, mas que começa a ser aplicada mais intensamente desde 2016”, afirma. Segundo o executivo, globalmente diversas montadoras estudam como aproveitar a plataforma, cada uma delas com um olhar. “Seria possível, por exemplo, melhorar o pós-venda significativamente. Com inteligência artificial e machine learning, o próprio carro poderia dar resposta imediata a um recall para a montadora e alertar o condutor.” Com isso, destaca, a customização, tendência de consumo tão forte, pode chegar a novos patamares.

Antes deste salto, no entanto, dá para criar soluções bem mais simples, como manter um canal digital em que o sistema responde perguntas sobre lançamentos. “O Watson aprende e pode atuar para as empresas nessa área”, aponta. O executivo diz que há uma série de estudos para entender como tirar proveito da plataforma localmente. “As empresas estão trabalhando e devemos ter um salto em conectividade e interação no setor automotivo nos próximos três anos aqui no Brasil.”

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