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11/05/2017 | 16h35

Tecnologia

Frost & Sullivan mostra 5 pilares da digitalização da indústria automotiva

Consultoria apresentou os novos caminhos durante evento em São Paulo


GIOVANNA RIATO, AB

Há muita expectativa em torno da digitalização da indústria automotiva, com uma avalanche de novas tecnologias e modelos de negócio que surgem com a proposta de auxiliar o setor nessa transformação. A Frost & Sullivan debateu o assunto na quinta-feira, 11, durante o Growth, Innovation and Leadership Summit, o GIL 2017, realizado em São Paulo.

Lorena Isla, diretora de pesquisa de mobilidade da consultoria, apresentou no evento o que acredita ser os cinco pilares do processo de digitalização da indústria automotiva. Confira a seguir:

1 - CADEIA PRODUTIVA INTERLIGADA:
A especialista acredita que o caminho essencial é usar recursos de Big Data e Indústria 4.0 para aprofundar ainda mais a integração entre os elos da cadeia produtiva. Com isso, será possível garantir mais flexibilidade e acompanhar uma tendência crescente no setor automotivo: a customização dos carros. “Será possível personalizar bem mais os carros sem uma subida dos custos”, descreve.

Lorena aponta ainda outro ganho importante, a capacidade de antecipar problemas de segurança e qualidade antes que eles cheguem ao mercado. “Com integração maior, o problema com os airbags da Takata talvez não tivesse alcançado dimensão tão grande”, diz, referindo-se ao defeito de fabricação que atingiu mais de 100 milhões de componentes da fabricante japonesa.

2 - INDÚSTRIA 4.0:
A consultoria aponta que a Indústria 4.0, com o uso da Internet das Coisas (IoT) deve ganhar espaço definitivo, com amplo uso de dados e recursos de inteligência artificial e de machine learning nos processos. Com essas tecnologias, diz, as próprias máquinas e linhas de produção poderiam se reprogramar ao detectar um problema ou ineficiência. “Isso combinado à análise de dados do cliente e com a maior integração da cadeia produtiva vai garantir que a gente entregue exatamente o que o cliente quer.”

3 - CARRO CONECTADO
O uso de Big Data, reforça Lorena, não vai apenas beneficiar a indústria, como também toda a cadeia envolvida. Ela cita o exemplo de seguradoras, que poderão definir o valor que cobrarão do cliente a partir dos dados de condução e comportamento dele. “A análise dos dados também é um recurso essencial para a condução autônoma. O veículo vai se comunicar com a infraestrutura, que vai responder e se adaptar para que a cidade mantenha a eficiência”, projeta.

Há ainda uma nova dimensão da oferta de serviços no pós-venda. A partir dos dados do veículo, é possível saber exatamente quando o carro precisa de manutenção e entrar em contato com o cliente para agendar. A comodidade dita as regras, diz Lorena. Ela cita o exemplo da Easy Carros, startup que leva a oficina até o cliente para fazer a manutenção do carro no horário e local que ele prefere. “As empresas do aftermarket também estão se empenhando para entregar novos modelos”, observa.

4 - O NOVO VAREJO
Lorena não decreta o fim do modelo de negócio da concessionária, mas reforça que um leque de outras possibilidades se abre. Segundo ela, a venda on-line, que no passado soaria como um recurso extra para o consumidor, passa a ser o caminho natural que as empresas devem trilhar nos próximos anos. Surgem também pop up stores, como a que a Audi tem na rua Oscar Freire, em São Paulo. “Ali o cliente pode comer ou fazer a barba, além de conhecer o carro, claro”, diz.
Para a consultora, este é um bom exemplo de como levar a experiência da marca para o consumidor, fazer com que ele entenda o conceito do produto. Ela cita ainda a iniciativa da Renault, que no começo deste ano criou uma casa de shows temporária na mesma rua de São Paulo para lançar o SUV Captur. “Em uma iniciativa que durou um mês, eles ofereceram ao cliente imersão no conceito do carro”, diz.

5 - MOBILIDADE COMO SERVIÇO

Em conjunto, todas as iniciativas levam para o mesmo caminho, aponta Lorena: a oferta de mobilidade como um serviço. “O modelo da indústria automotiva vai migrar de produto para serviço”, determina, repetindo um mantra que ganha força no setor. Segundo ela, o caminho é entender o consumidor e ajudar ele a encontrar a melhor maneira de se deslocar de um ponto a outro.

Segundo ela, há uma série de plataformas trabalhando para entregar este tipo de solução, como Moovit (leia aqui), que mostra o melhor trajeto pelo transporte público. Lorena aponta que o caminho é oferecer uma jornada única, com sistema de pagamento único para que o cliente use um serviço de compartilhamento de bicicletas, pegue o metrô, alugue um carro ou ande de ônibus em seguida. Segundo ela, o Bilhete Único já segue este caminho - ao menos parte dele - na cidade de São Paulo. A tendência, de qualquer forma, é que a solução deixe de estar em cartões e passe a se concentrar em aplicativos.

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