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25/04/2017 | 22h00

Autopeças

Honeywell planeja fazer turbos para carros flex no Brasil

Empresa espera primeiras encomendas de montadoras em 2018 ou 2019


PEDRO KUTNEY, AB

Turboalimentação é tendência até para o motor 800 cc do indiano popular Tata Nano, que usa o menor turbo do mundo (na foto), exposto no estande da Honeywell Garrett na Automec
A crise que se abateu sobre o mercado brasileiro jogou um balde de água gelada nos principais fabricantes de turbocompressores que, após a adoção de metas de eficiência energética impostas pelo Inovar-Auto, esperavam até este ano, quando termina o programa, fornecer às montadoras centenas de milhares de unidades de turboalimentação para equipar motores flex de veículos leves, como forma de garantir a pretendida redução de consumo. Contudo, a queda das vendas inibiu os investimentos e as fábricas de carros acharam soluções mais baratas para atender as exigências do Inovar-Auto. Só a BorgWarner começou a produzir turbos leves no País, que até agora só estão nos Volkswagen Up! e Golf 1.0. A Honeywell se retraiu por falta de clientes, mas segundo a empresa isso deve mudar em 2018 ou 2019, quando deverá participar de projetos de novos carros turbinados a serem lançados no Brasil e começar a fabricar esses modelos de turbos em sua unidade brasileira, em Guarulhos (SP).

“Esse mercado está atrasado, esperávamos que já estivesse acontecendo este ano, mas ainda temos certeza que vai acontecer nos próximos anos, já temos a sinalização dos clientes que deveremos fornecer para novos veículos de passageiros. Teremos os primeiros carros com turbos Garrett feitos aqui em 2018 ou 2019”, afirma Clement de Valon, diretor global de aftermarket da Honeywell Garrett, que está no Brasil esta semana para participar da Automec, principal feira do setor que acontece de 25 a 29 deste mês no São Paulo Expo (leia aqui).

A Honeywell Garrett não divulga ainda quem são os clientes que pretendem lançar carros turbinados com seus turboalimentadores nos próximos dois anos. Os investimentos para fabricação desses turbos no Brasil ainda não foram feitos. Para isso a empresa vai esperar a definição da nova política automotiva que deverá substituir o Inovar-Auto com novas metas de eficiência energética e evolução tecnológica, até agora conhecida como Rota 2030, que já está recebendo pedidos e sugestões da indústria (leia aqui).

Valon avalia que as montadoras instaladas no País não conseguirão desviar por muito tempo da adoção de turboalimentação para melhorar a eficiência energética dos carros. “O Brasil está demorando um pouco mais para seguir essa tendência, mas também virá para esse lado”, diz. Ele lembra que na Europa quase 70% da frota usa motores turbinados, os Estados Unidos começam a seguir o mesmo ritmo e a China já é o maior mercado mundial de turbocompressores. Mesmo na Índia, um país de carros de baixo custo, a turboalimentação vem crescendo de forma acelerada e já é empregada até no motor de 800 cc e 40 cv do Tata Nano, que usa o menor turbo do mundo – exposto como curiosidade no estande da Honeywell na Automec.

NOVA MARCA

A Honeywell Turbo Technologies está lançando na Automec uma nova forma de comunicar a marca de seus turbos Garrett, que já está sendo adotada em todo o mundo desde o ano passado. Agora seus turbocompressores serão vendidos no mercado de reposição com a marca Honeywell Garrett, nesta ordem. “Decidimos colocar sob o mesmo guarda-chuva do nome da companhia todas as marcas do grupo. É importante identificar a Honeywell em tudo que ela faz, pois é uma indústria muito maior do que apenas um produto”, explica Valon.

A nova marca composta vai estampar todas as embalagens dos turbos da fabricante. Segundo Valon, o aftermarket é muito importante para o negócio, reponde por 15% a 20% das vendas da Honeywell Turbo Tecnologies no mundo, porcentual que é maior no Brasil devido às características próprias do mercado onde só veículos diesel usam turboalimentação e a frota deles é bastante antiga.

APOSTA NA REMANUFATURA

Os negócios da Honeywell Garrett no mercado brasileiro de reposição ficaram estáveis em 2016, o que é explicado pela crise econômica que reduziu os volumes de fretes e deixou caminhões parados – e portanto com necessidades menores de manutenção. Mas Valon avalia que este ano as vendas no aftermarket devem crescer, especialmente por causa dos investimentos que a empresa fez para aumentar a oferta de turbos remanufaturados: já são oferecidos 23 tipos e mais modelos serão lançados este ano.

“É um produto que dura tanto quanto um turbo novo, é produzido com os mesmo padrões de qualidade de um zero-quilômetro, tem garantia de fábrica de um ano e custa 30% menos”, destaca Valon. Com isso, ele espera que as vendas de turbocompressores remanufaturados respondam por 30% das vendas da Honeywell Garrett no mercado de reposição.

Valon lembra também que os remanufaturados são uma importante arma na disputa com turbos baratos de marcas chinesas. Nesse sentido, a empresa partiu para o ataque com a campanha “Por que arriscar?”, para mostrar que o barato pode sair mais caro no caso de turbocompressores. A ideia é mostrar a reparadores e frotistas que, na compra de um produto do chamado mercado paralelo, de um fabricante que não fornece equipamento original às montadoras, o cliente pode economizar cerca de R$ 600, mas um turbo quebrado depois de 10 mil km teria um “custo oculto” de R$ 1,5 mil, considerando aumento de consumo de combustível e algo como cinco horas de reparo com o veículo parado, segundo cálculos da Honeywell. O prejuízo subiria para R$ 2,5 mil no caso de um turbo recondicionado enguiçado após os mesmos hipotéticos 10 mil km, pois envolve também o preço de substituição do dispositivo.

A estimativa de durabilidade de um turbocompressor original de um veículo comercial diesel é de 300 mil km, mas existem equipamentos que podem durar mais de 1 milhão de km, conforme o uso.

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