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17/04/2017 | 13h40

Indústria

Déficit na balança de autopeças deve chegar a US$ 6 bi

Sindipeças revisa projeção e prevê saldo negativo maior que o de 2016


ALZIRA RODRIGUES, PARA AB

Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças (foto: Luis Prado)
Em contraste com a perspectiva anterior de redução do déficit da balança comercial de autopeças este ano, a nova projeção do Sindipeças, agora com base nos dados do primeiro trimestre, é a de o setor atingir saldo negativo superior ao de 2016. De acordo com o presidente da entidade, Dan Ioschpe, os números do início deste ano sinalizam para um déficit em torno de US$ 6 bilhões, ante os US$ 4,5 bilhões projetados anteriormente e os US$ 5,25 bilhões de 2016.

Em sua participação no VIII Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business segunda-feira, 17, no Golden Hall do WTC, em São Paulo, o presidente do Sindipeças comentou que o setor não é contra as importações, mas disse serem necessárias medidas de estímulo às exportações para que a indústria deixe de ter déficit.

“A balança comercial envolve a questão da competitividade. Precisamos ser mais competitivos para exportar mais e também é fundamental que tenhamos um câmbio neutro e maior número de acordos internacionais.” Um dos problemas que geraram aumento no valor das importações no primeiro trimestre deste ano, segundo Ioschpe, foi justamente o câmbio. “O real neste início de ano está mais apreciado que em 2016.”

O Sindipeças mostra-se menos otimista que a Anfavea em relação ao ritmo de retomada do mercado brasileiro. Enquanto a entidade que representa as montadoras projeta produção de 2,4 milhões de veículos, equivalente a uma alta de 11,9%, o Sindipeças estima algo em torno de 2,23 milhões, ou seja, um pequeno crescimento de 3% sobre 2016. E a recuperação, na avaliação de Ioschpe, será lenta.

“Somente em 2020 ou 2021 deveremos retomar os números de 2015, voltando à casa dos 2,5 milhões de veículos produzidos”, comentou.

PESQUISA COM PLATEIA

Durante a participação do presidente do Sindipeças no VIII Fórum da Indústria Automobilística foi realizada pesquisa eletrônica sobre os problemas e desafios da indústria de autopeças. Entre as questões abordadas, a evolução atual do câmbio foi considerada favorável por 51% dos participantes do evento, enquanto 39% a avaliaram como desfavorável e o restante indiferente.

A maioria, 68,7%, acredita em inflação na faixa de 4% a 5%, posição similar à do presidente do Sindipeças: “Apostamos em inflação abaixo de 4%, o que é favorável aos nossos custos. Em contrapartida, esse movimento de depressão que estamos vivendo dificulta a retomada das vendas e, consequentemente, nossa recuperação.”

Também foi majoritária, com índice de 61,2%, a posição de que o mercado interno de veículos ficará na faixa de 2 milhões a 2,2 milhões de veículos este ano. “Estamos cautelosos e conservadores em relação às nossas projeções”, reforçou Ioschpe. “Como disse, a produção deverá crescer só 3% e assim mesmo motivada mais pelas exportações. O desemprego elevado e a renda comprimida não favorecem a retomada das vendas.”

A queda do mercado interno prejudica montadoras e autopeças igualmente na avaliação de 42,% dos participantes da pesquisa, enquanto 21,9% acham que os fabricantes de veículos são mais afetados e 35,2% consideram os fornecedores os mais afetados. Em uma lista com dez dos principais problemas do setor, os votantes elegeram três como os mais graves: excesso de tributos, margens reduzidas e baixa demanda.

Com relação à ociosidade das empresas, 57,6% dos votantes apontaram para um índice abaixo de 50%. Outros 27% avaliaram que a capacidade ociosa situa-se entre 50% e 60%, enquanto para 15,4% supera os 60%. Na média, segundo o presidente do Sindipeças, a ociosidade chega a 45%, sem perspectiva de redução em curto prazo.

A pesquisa também abordou os reflexos do Inovar-Auto na cadeia automotiva. Apenas 2,8% consideram que o programa trouxe benefícios para as autopeças, enquanto 43,% avaliaram que só as montadoras foram favorecidas. Para os demais, os benefícios foram para os dois lados ou não houve nenhum benefício para ninguém.

Para Dan Ioschpe, o Inovar-Auto foi uma forma equivocada de resolver os problemas de aumento das importações de veículos. “Para as autopeças o resultado do Inovar-Auto foi o recorde de déficit na balança comercial”, enfatizou o executivo.

Para este ano a entidade estava projetando exportações de US$ 6,96 bilhões e importações de US$ 11,46 bilhões, mas pelo balanço do primeiro trimestre tudo indica que as compras lá fora serão bem maiores que tal estimativa.

Assista ao resumo em vídeo do VIII Fórum da Indústria Automobilística:


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