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27/03/2017 | 21h00

Indústria

GM fala em retomar investimento a Temer

Presidente mundial visitou mandatário brasileiro em Brasília


PEDRO KUTNEY, AB

A partir da esquerda: Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul, Michel Temer, Daniel Ammann, presidente mundial da GM, Barry Engle, presidente da GM América do Sul, e Marcos Munhoz, vice-presidente (Foto: Marcos Corrêa/PR)
O presidente mundial da General Motors, Dan Ammann, acompanhado do alto escalão da diretoria da companhia na América do Sul, Mercosul e Brasil esteve na manhã da segunda-feira, 27, no gabinete da Presidência da República, em Brasília, para uma visita ao mandatário da vez, Michel Temer. Em anos recentes, esse tipo de cena se repetiu várias vezes, com vários fabricantes de veículos, para anunciar novos investimentos bilionários no País. Desta vez o executivo norte-americano não fez anúncio público de qualquer novo aporte (pelo que foi divulgado até às 21h), mas falou que “a GM voltou a pensar em investir no Brasil”, segundo disse ao jornal Valor Econômico o ministro do Desenvolvimento, Marcos Pereira, que também participou do encontro, junto com seu colega da Fazenda, Henrique Meirelles. Também compartilharam a mesa os presidentes da empresa na América do Sul, Barry Engle, e no Mercosul, Carlos Zarlenga, junto com o vice-presidente Marcos Munhoz.

É muita gente graduada em cortejo ao poder sem objetivo definido divulgado. Uma semana atrás, com exceção de Ammann, o mesmo time de executivos da GM esteve em outra reunião na capital federal, no MDIC, com o ministro Pereira (leia aqui). Dada a intensa agenda em Brasília nos últimos dias, tudo indica que estão em curso negociações entre GM e governo sobre política industrial – e fiscal, como sugere a presença de Meirelles, chefe da Fazenda, na mesma reunião com Temer.

De acordo com o que disse o chefe do MDIC ao Valor, Ammann afirmou na reunião com Temer que a GM estaria pensando em voltar a investir no Brasil porque a confiança dos empresários internacionais no País vem sendo retomada graças às reformas e medidas de arrocho fiscal tomadas e propostas pelo atual governo. Se foi realmente isso que o executivo disse, comprova que a GM já teria cancelado o investimento de R$ 6,5 bilhões anunciado em julho de 2015 para o período 2017-2019, para o desenvolvimento de nova família de veículos (leia aqui). O próprio Ammann, em entrevista ao O Estado de S. Paulo há um ano, já havia ameaçado suspender esse aporte caso a situação econômica não melhorasse no horizonte de 6 a 12 meses (leia aqui), o que de fato ocorreu.

Como se viu até aqui, a situação no setor automotivo nacional não melhorou, muito pelo contrário, piorou. Mas pode ficar ainda pior para a GM, por exemplo, se por falta de investimentos a fabricante não conseguir atingir até o próximo semestre a meta de eficiência energética do Inovar-Auto, o que resultaria em multa por carro vendido a partir de 2018. Esse já seria um bom motivo, portanto, para cortejar o poder instalado em Brasília, com a sempre atraente promessa de retomada de investimentos.

Ainda segundo Marcos Pereira informou ao Valor, Ammann disse a Temer que a competitividade do País deve voltar a subir se o arrocho fiscal e as reformas forem adiante. “Para ele, se isso acontecer, o Brasil assumirá o papel de exportador da GM na América do Sul, que hoje está nas mãos da Europa, em função da falta de competitividade de nosso país”, afirmou o ministro ao jornal. É uma afirmação sem sentido de quem não conhece o mercado automotivo global ou entendeu mal o executivo, tendo em vista que a divisão da GM na Europa era a deficitária Opel, também pouco competitiva, que nunca exportou muito para países sul-americanos e há menos de um mês foi vendida para o Grupo PSA, dono das marcas Peugeot e Citroën.

Comentários: 1
 

Carlos
09/04/2017 | 20h31
Achei estranho o último parágrafo. "A Opel nunca exportou muito para América do Sul", talvez porque os carros feitos por aqui pela GM durante os últimos 40 anos (desde o Opala em 68 até a chegada dos projetos coreanos em 2008) eram baseados em projetos da Opel. Não exportou muitos carros, mas sim muita engenharia. Não é diferente dos concorrentes. A Ford nunca importou muitos carros da Europa, nem a Fiat ou a VW. Fora os Premium, os importados chegam do Mercosul ou do México. Mas falando de projetos, os "4 grandes" instalados no pais antes de 1998, tirando poucas exceções como alguns projetos locais e pouquíssimos americanos (o Maverick e o Galaxie, 40 anos atrás), todas usaram projetos europeios.

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