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08/03/2017 | 18h50

Mercado

Cenário piora para importadores de veículos

Sem resposta do governo, Abeifa segue travada com limite de cotas


SUELI REIS, AB

José Luiz Gandini, presidente da Abeifa: ''Estamos nos tornando insignificantes para o governo''
Os 18 importadores independentes de veículos e associados à Abeifa revisaram suas projeções para 2017, embora ainda aponte para um cenário de piora das vendas. Segundo a entidade, este ano deve encerrar com o emplacamento de 30 mil unidades, contra as 25 mil previstas anteriormente (leia aqui). A produção pelas associadas que têm fábrica no Brasil é estimada em 21,8 mil.

- Veja aqui os dados do 1º bimestre da Abeifa
- Veja aqui outros dados da Abeifa
- Veja outras estatísticas em AB Inteligência

Se confirmado, este total representará retração de 2,2% sobre o ano passado, uma queda bem menor do que a de 30% esperada antes, considerando a projeção anterior. O volume previsto para 2017 também está muito aquém da capacidade do mercado, que já foi de 199 mil veículos em 2011 e que passou a recuar drasticamente a partir de 2012 com a determinação de cotas de importação sem os 30 pontos adicionais de IPI.

“Nunca mais vamos fazer aqueles números de 2011”, lamenta o presidente da Abeifa, José Luiz Gandini, na quarta-feira, 8, durante a apresentação do balanço do primeiro bimestre.

Nos dois primeiros meses do ano, as vendas de veículos importados das associadas da Abeifa despencaram, resultando em uma queda de 44,5% na comparação com o mesmo período do ano passado: foram 3,6 mil unidades contra as 6,5 mil de um ano antes. Em fevereiro, os emplacamentos somaram pouco mais de 1,6 mil unidades, volume 13,3% menor que o de janeiro. Sobre fevereiro de 2016, quando as vendas foram de 2,8 mil veículos, houve retração de 41,3%.

Segundo o executivo, alguns fatores externos influenciaram negativamente o resultado de janeiro e fevereiro, como a paralisação de servidores públicos na área de segurança no Espírito Santo e Rio de Janeiro. Além disso, Gandini volta a chamar a atenção para o limite da cota de importação que é de 4,8 mil veículos e sobre a qual não incide a sobretaxação de 30 pontos do IPI.

“Não tem lógica o que estão fazendo com nosso mercado. Ficou inviável trazer carro fora da cota com este dólar; é um efeito que vai piorar nosso desempenho no ano”, afirma Gandini em tom de desabafo. Ele reforça que, como entidade, continua pleiteando ao governo a transferência de cotas não utilizadas por algumas marcas para outras que por ventura queiram utilizar. “As respostas que recebi são ‘vamos ver’, mas não sai disso. Eles nem têm mais data para nos receber. O governo está só apagando incêndio, todo dia é uma novidade, enquanto isso outros problemas do País estão ficando de lado”, disse.

Gandini disse ainda que o único fator que pode melhorar o cenário para o setor de importados é o cumprimento da lei que determinou a sobretaxação dos 30 pontos de IPI, em vigor até 31 de dezembro deste ano. Teoricamente, a partir de 1º de janeiro de 2018, qualquer marca poderia importar quantos carros quiser sem pagar IPI a mais por isso.

“Já somos penalizados com a maior alíquota possível do imposto de importação, que é 35%. A partir do momento que o carro importado entra no Brasil e paga por isso, deveríamos brigar de igual para igual e não termos uma trava que nos impeça de trazer carros para o País”, argumenta.

Ele admite que o cenário econômico ainda fraco atrapalha o desempenho, mas aposta que o setor tem fôlego para fazer mais do que tem feito. Gandini estima que se de fato não houver mais o regime de cotas de importação, o mercado de importados é capaz de chegar aos 60 mil emplacamentos em 2018. “Um mercado represado e uma base baixa são fatores que podem devolver uma maior atividade ao setor, mas isso não significa dobrar as vendas, é somente tirar uma trava”, defende.

Assista abaixo reportagem da ABTV sobre os resultados do setor de importados no primeiro bimestre:


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